terça-feira, 4 de maio de 2010

Parada MayDay Lisboa 2010



Dá a volta à precariedade!
 
Esta foi a frase mote de convocatória do MayDay Lisboa 2010, e foi exactamente para "dar a volta à precariedade" que várias centenas de pessoas juntaram-se no dia 1 de Maio no Largo de Camões, em Lisboa. Este encontro foi o culminar de um percurso que reuniu forças e juntou muitas vozes para gritar bem alto: precários nos querem, rebeldes nos terão! Somos gente, somos precários e precárias, somos vozes inconformadas que recusam a chantagem da crise, do desemprego, do défice e de todas as estatísticas e "ratings" que queiram sobrepor às nossas vidas. Respondemos a todas estas chantagens com o contra-ataque, em defesa dos nossos direitos.

No dia 1 de Maio, juntámo-nos à manifestação e ao combate de todos os trabalhadores e trabalhadoras,  em Lisboa e no Porto, porque sabemos que a precariedade é um plano global e que a resposta precisa de toda a solidariedade possível, percorremos juntos a Almirante Reis, do Martim Moniz à Alameda, integrando o desfile da CGTP. Fomos todos trabalhadores de call-center, intermitentes do espectáculo e do audio-visual, caixas de super-mercado, trabalhadores temporários, contratados a prazo, trabalhadores sexuais, professores e enfermeiros,trabalhadores da função pública,... unidos por uma causa comum: o combate à precariedade.

Ouviu-se bem longe as palavras de ordem da multidão: "precários nos querem, rebeldes nos terão!"; "A precariedade é crime organizado!"; "Não pagamos a crise deles!"; "somos inPECáveis"; ...

Não temos dúvidas, os ecos deste 1º de Maio, far-se-ão sentir durante o ano inteiro, vamos dar a volta à precariedade! O precariado dá luta!

Vê a foto-galeria da parada aqui.

Mayday Porto 2010



sexta-feira, 30 de abril de 2010

Dia 1 de Maio :: 13h :: Largo Camões :: MayDay MayDay !!!

A parada Mayday Lisboa 2010 tem encontro marcado às 13h no Largo Camões onde haverá música, animação e onde podemos fazer um descontraído piquenique antes da caminhada contra a exploração. Teremos alguma comida e bebida, mas podes também trazer a tua marmita para te juntares ao Mayday.

Seguiremos depois pelo Chiado até ao Martim Moniz, onde nos juntaremos à manifestação do Dia do Trabalhador, organizado pela CGTP. Durante o percurso que nos vai levar ao encontro de todos os trabalhadores e trabalhadoras, teremos muitas acções pensadas para locais estratégicos, porque, muito embora existam milhares de precariedades, este ano juntamo-las todas no MayDay para, juntos, lhes dar a volta!

Dia 1 de Maio :: 13h :: Largo Camões
MayDay: dá a volta à precariedade!


Este ano começámos cedo a convocar esta parada de precários/as em Lisboa, e, desde o início de Março e sob o lema “dá a volta à precariedade”, fizemo-nos ouvir com acções inéditas: bloqueámos dezenas de call-centers com centenas de apelos à participação do precariado no MayDay (vídeo aqui), invadimos o Centro Comercial Colombo (vídeo aqui) e os Armazéns dos Chiado (vídeo aqui) - denunciando o trabalho precário, mal pago e sem direito a horas extra ordinárias – e realizámos debates com imigrantes, trabalhadores/as sexuais , gente de bairros sociais e vários movimentos de precários, para pensarmos juntos no contra-ataque a um problema comum: a precariedade.

Trabalhadores/as do sexo apelam à mobilização para o MayDay

"O meu manifesto"

Somos os que não contam para as estatísticas. Os que não recebem subsídios nos quais o governo possa cortar. Os que têm de pagar por si e por quem tiver a 'boa vontade' de os (mal)empregar, se e quando lhes der na veneta. Somos os que não têm férias. Somos os que não têm filhos nem família nem casa nem ficam doentes nem tratam de burocracias nem vão ao banco nem às compras nem andam de transportes nem pagam as contas nem usam os serviços. Somos os que não progridem na carreira. Somos os que não têm carreira. Somos os que nem desempregados são. Somos os tapa-buracos. Somos os trabalhadores de segunda, de terceira, os que não têm classificação, os que não fazem parte nem integram não têm espírito de equipa nem são corpo de coisa alguma. Somos os trabalhadores de segunda, de terceira. Os colaboradores. Os paus para toda a obra.


E se um dia parássemos todos? Que sucederia? E se um dia mostrássemos quem somos?

Amanhã é 1 de Maio, dia do trabalhador. DE TODOS OS TRABALHADORES. Encontramo-nos às 13h00 no Largo Camões. E como somos trabalhadores como todos os outros, as 14h30 vamos integrar a manif da CGTP. Vem mostrar que existes. Não deixes que continuem a convencer-te que não contas.
 
MZ

O verde e a esperança: vivências da crise no Vale do Ave - Virgílio Borges Pereira

[Este é o último texto do ciclo de publicação do Dossier Precariedade, uma organização conjunta do Le Monde Diplomatique e do MayDay Lisboa 2010]

Os números do desemprego, com taxas que em Portugal ultrapassaram já os 10 por cento, e a realidade da precariedade laboral cobrem situações que têm em comum o sofrimento quotidiano e a angústia em relação ao futuro, mas só podem ser bem compreendidos conhecendo vivências locais, contextos profissionais e padrões de desenvolvimento. Na região do Vale do Ave, a incerteza de um desemprego maciço e de longa duração dialoga com uma industrialização difusa e com uma dupla matriz do seu operariado: de base mais rural ou industrial.

Por VIRGÍLIO BORGES PEREIRA *

Manifesto conjunto, MayDay Lisboa e Porto

O QUE É SER PRECÁRIO ?

Ser precário é ser pau para toda a colher.
Ser precário é não poder ter ofício.
Ser precário é eventualmente fazer estágios de profissionalização para animar as estatísticas do governo.
Ser precário é não ter a certeza de arranjar trabalho amanhã.
Ser precário é não ter direito ao subsídio de desemprego, mesmo quando já se trabalhou muito e agora não se tem trabalho.
Ser precário é ser obrigado a fazer descontos mesmo quando não se ganhou dinheiro.
Ser precário é receber um salário de miséria e engrossar o cabedal das empresas de trabalho temporário, muitas delas nas mãos dos boys e dos manda-chuvas dos grandes partidos.
Ser precário é não ser contabilizado nas já extensas listas dos desempregados.
Ser precário é trabalhar sem contrato e poder sempre ser despedido sem justa causa.
Ser precário é estar sistematicamente «à experiência», por muito comprovadamente experiente que se seja.
Ser precário é ser tratado como um profissional liberal quando se vive abaixo de cão.
Ser precário é, quase sempre, não escolher ser precário.
Ser precário é ter um livro de recibos verdes para evitar milagrosamente que os empregadores tenham de assumir qualquer responsabilidade na construção e manutenção da cadeia de produção da riqueza.
Ser precário é não poder ter filhos, porque os patrões não gostam de grávidas, nem de mães competentes, nem de pais demasiado presentes.
Ser precário é ser tratado como gado, mas sem ração assegurada.
Ser precário é tapar os pequenos e os grandes buracos do capitalismo.
Ser precário é não ter a certeza de poder pagar a renda, é ter a certeza de que o dinheiro não dá para todas as facturas.
Ser precário é ter de comer menos e menos vezes por dia, excepto quando a família ou os amigos se compadecem.
Ser precário é engolir a raiva, é chorar às escondidas para não dar nas vistas, é ter medo de ser etiquetado de rebelde, é ter pânico de que esse rótulo motive a perda de um emprego medíocre mas tão difícil de arranjar.
Ser precário é ter vontade de ir para a rua gritar.
Ser precário é ser obrigado a ir para a rua gritar.
Ser precário é decidir ir para a rua gritar.

No dia 1 de Maio.
Com todos os outros companheiros precários que por aí andam escondidos.
Com todos os que, revoltados com a crescente injustiça social e o aumento exponencial das hostes do precariado, se juntam ao desfile do MAY DAY.
Ser precário é, de súbito, ter consciência de que se todos dermos as mãos e batermos os pés, O MUNDO TREME.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

As faces precárias da precariedade - Ana Maria Duarte

[Dossier Precariedade: Organização conjunta do Le Monde Diplomatique e do MayDay Lisboa 2010]

A flexibilidade aparece, nas últimas décadas, como um dos principais vocábulos e instrumentos de «modernização» das empresas. As apreciações dominantes sobre a evolução do trabalho apresentam-na como a expressão de uma necessidade histórica, capaz, só ela, de libertar o trabalho da «rigidez» que esteve na base da crise do modelo de produção e de consumo taylorista-fordista. O argumento fundamental passa por se afirmar que, nas condições actuais de globalização dos mercados, de acréscimo da competitividade e de desenvolvimento de novas tecnologias da informação e da comunicação, a viabilidade das economias (e das empresas) dependerá da capacidade dos seus agentes para introduzirem agilidade e elasticidade nos processos produtivos, no sistema organizacional e no sistema de emprego, de forma a conseguir-se uma sincronização instantânea da produção e do consumo. A flexibilidade tende, assim, a surgir, para empresários e governantes, como a solução para as dificuldades económicas e sociais com que a maior parte dos países europeus se defronta (quebra de crescimento económico, desemprego maciço, etc.).


Por Ana Maria Duarte

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Dos livros aos recibos?

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Hoje, quinta-feira, no Jardim do Átrio da entrada da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, às 16 horas, falamos sobre a relação entre a escola e a precariedade.

Será que ter trabalho é uma questão de sorte? Estará a Escola já pensada para que a precariedade seja o futuro de qualquer estudante? Por que é que faz sentido os estudantes estarem no MayDay? Será que temos mesmo que passar dos livros aos recibos?


Conversa à volta da Escola e da Precariedade
Concerto precário com Pedro e Diana!

Aparece e vem dar a volta à precariedade!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Vamos brincar aos jornais - João Pacheco

[Dossier Precariedade: Organização conjunta do Le Monde Diplomatique e do MayDay Lisboa 2010]

Em Portugal, o jornalismo é feito em condições cada vez piores. A pergunta sempre presente – «será que amanhã vou trabalhar?» – faz com que se aprenda a entrevistar a medo, se perca autonomia e se escreva com autocensura.

Por JOÃO PACHECO *

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terça-feira, 27 de abril de 2010

O trabalho em centros comerciais - Sofia Alexandra Cruz

[Dossier Precariedade: Organização conjunta do Le Monde Diplomatique e do MayDay Lisboa 2010]


Cada vez mais presentes na paisagem portuguesa, os centros comerciais escondem realidades laborais pouco conhecidas. A precariedade do emprego e do trabalho em sectores como a restauração e o comércio de vestuário é, também ela, uma espécie de franchising da globalização capitalista na sua fase actual.

Por SOFIA ALEXANDRA CRUZ *

segunda-feira, 26 de abril de 2010

10ª Assembleia MayDay Lisboa

O 1º de Maio está à porta, estamos na recta final e caminhamos para a última assembleia MayDay Lisboa 2010! O ponto de encontro, no dia do trabalhador, será no Largo Camões, às 13h, com partida às 14h30 em direcção ao Martim Moniz para nos juntarmos à manifestação da CGTP.

Vem pensar a parada MayDay connosco e junta a tua voz a este combate!

Próxima assembleia MayDay Lisboa:


4ª feira :: 28 de Abril :: às 21h :: na SOLIM
Rua da Madalena :: nº 8 :: 2º andar

Festa/Concentração no Miradouro São Pedro de Alcântara

No dia 24 de Abril, o MayDay organizou uma festa/concentração no Miradouro S. Pedro de Alcântara. Foi mais um ponto de encontro que juntou muita gente diferente, para pensar em conjunto nas respostas e no caminho que percorremos.

Houve um espaço de construção de materiais para levar para a parada, onde podemos, todos e todas, dar o nosso contributo e juntar as nossas reivindicações para a parada MayDay.

Entre a animação, festa, dança, música e poesia, houve também vários testemunhos de precariedade, vozes que não se calarão, gente que não se renderá à chantagem da precariedade e que sairá pra rua no 1º de Maio, ao soar do alarme: MayDay MayDay!!!

Mayday! Mayday! Soámos o alarme: vídeo da visita à FNAC dos Armazéns do Chiado...

onde encontramos livros, discos, computadores, pacotes de massagens A Vida é Bela e muit@s precári@s com contratos a prazo e subcontratados por ETT's a quem entregámos este panfleto e apelámos a participar no MaydayLisboa2010 :: 1ºMaio :: 13h :: Largo Camões.

200 recusas depois, jovem inglesa suicida-se

"Eu já não quero ser mais eu. Não fiquem tristes, a culpa não é vossa, só quero que sejam felizes". Foi esta a mensagem que Vicky Harrison, jovem inglesa de 21 anos, deixou aos pais e ao namorado no dia em que se suicidou.
Formada em som e imagem, Vicky pretendia ser produtora de televisão embora tivesse tentado arranjar trabalho nas mais variadas áreas. Empregada de balcão, de mesa, repositora em cadeias de supermercados, tudo foi tentado pela jovem inglesa que, ao fim de dois anos a tentar arranjar emprego, recebeu mais de 200 recusas.
Os casos como o de Vicky Harrison existem, não são contabilizados nem tão pouco responsabilizados. Como esperar que alguém que ao fim de dois anos e duzentas recusas de emprego continue a tentar?
A precariedade não é impeditiva apenas de uma normal vida em termos económicos. Talvez a pior face desta nova peste do século XXI seja justamente a criação de um desânimo e de uma lógica que, impregnada inconscientemente, nos prende à sempre constante corda bamba de uma vida que é vivida sem ânimo, sem esperança e, inevitavelmente, sem contestação. De facto, a precariedade nas relações laborais é a melhor mordaça que os Estados "não autoritários" possuem ao seu dispor. Que melhor maneira de controlar uma franja da população do que com a sempre invisível, mas tão bem presente, "corda na garganta"?
A precariedade faz mais pelo controlo de um Estado sobre a vida das pessoas que a mais brutal repressão estatal, palpável, visível e passível de ser afrontada. Talvez seja este o "el dorado" que Estados e patronato procuravam desde o fim das ditaduras mais musculadas. 

André Pires

Notícia DN: aqui

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Festa / Concentração :: 24 Abril :: Miradouro S. Pedro de Alcântara


Mayday! Mayday!
Mais uma vez soa o alarme!
O Mayday Lisboa está novamente na rua!

Depois de termos invadido o Colombo em protesto contra a precariedade, juntado tantas caras diferentes para pensar como nos organizamos (aqui) e bloqueado dezenas de call centers com centenas de apelos à participação (aqui), continuamos o caminho de convocação à parada MayDay no 1º de Maio:
 
No próximo dia 24 de Abril, Sábado, das 16-20h no Miradouro São Pedro de Alcântara (Bairro Alto), o MaydayLisboa organiza uma Festa/Concentração para fazer ouvir as vozes da precariedade!
Concertos, dança, música, jogos populares, performances, bancas, workshops, testemunhos de precariedade e de luta... e claro muita animação!
E já que estamos numa de festa, aparece também no Arraial do 25 de Abril no Largo do Carmo, nas noites de 23 e 24 de Abril pois o Mayday vai lá estar presente com uma banca. Temos pins, jornais e muita informação para trocar!

Vem fazer parte desta luta! Querem-nos calados mas não nos rendemos!

Vamos dar a volta à precariedade!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

A ilha vista à distância - Jorge da Silva e Fernando Ramalho

[Dossier Precariedade: Organização conjunta do Le Monde Diplomatique e do MayDay Lisboa 2010]

Um Call Center é um centro de atendimento de chamadas telefónicas (função inbound) e de contactos telefónicos com clientes (função outbound), tendo, nalguns casos, estas duas valências em simultâneo ou, noutros, apenas uma delas. A função inbound inclui a assistência técnica e especializada ou a simples prestação de esclarecimentos sobre produtos e serviços. A função outbound inclui a promoção de produtos e serviços (telemarketing), resposta a solicitações ou problemas colocados por clientes num contacto anterior (call back), realização de inquéritos a clientes, acções de fidelização e retenção de clientes, cobranças, atribuição de prémios a clientes, etc.

por Jorge da Silva e Fernando Ramalho

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Mayday Coimbra debate hoje precariedade




Serão projectados filmes sobre as acções e as manifestações de vários Mayday's nos anos anteriores e ensaiar-se-á uma reflexão sobre o caminho a seguir este ano.

Vamos pensar e organizar a luta contra as vidas que nos querem impor com a recriação de mais um grito que se vai fazer ouvir em 2010.


Mayday, Mayday!!

Mayday Lisboa no Pinhal Novo


No sábado passado, o mayday percorreu as ruas do Pinhal Novo, em Palmela. ETTs, Holmes Place e Piscina Municipal não escaparam ao apelo. Rebelamo-nos contra quem nos afoga os direitos e gritamos para que saibam que não nos conformamos com a precariedade a que nos querem reduzir as vidas. Breve, breve, voltaremos às ruas! Pingo Doce, McDonalds, Modelo, Intermarché, etc são vários os sítios a que urge espalhar a palavra. Somos muit@s! Mas a 1 de Maio seremos muit@s mais.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Call Centers: à descoberta da ilha - Jorge da Silva e Fernando Ramalho

[Dossier Precariedade: Organização conjunta do Le Monde Diplomatique e do MayDay Lisboa 2010]

«Bom dia, está a falar com R., tenho o prazer de estar a falar com…? Em que posso ajudar?» Repetir esta frase entre 60 a 80 vezes por dia é apenas uma das tarefas a que milhares de operadores de Call Centers (centros de atendimento e de contacto) se dedicam.

Trata-se de uma realidade comentada por muitos, mas apenas conhecida por aqueles que a experimentam. É um território insular, para onde se vai com o intuito de «passar uns tempos», mas cuja viagem de regresso nunca está marcada. Ilha, não só porque o espaço físico onde se desenrola a actividade de um operador de Call Center tem essa designação, mas também porque se trata de um território isolado, escondido para o exterior.

Após uns anos na faculdade ou a tirar um curso de formação, a necessidade aperta e é preciso dinheiro. Olhar para as ofertas de emprego é pôr uns óculos de lentes afuniladas que muitas vezes nos levam para o desconhecido mundo dos Call Centers.
 
Por JORGE DA SILVA e FERNANDO RAMALHO *
 
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9ª Assembleia MayDay Lisboa

Estamos na recta final, o MayDay Lisboa está na rua com mais força! Os cartazes e os panflos de convocação para a parada do 1º de Maio estão nas ruas em contacto com milhares de precários!

Próxima assembleia MayDay Lisboa:

4ª feira :: 21 de Abril :: às 21h :: na SOLIM
Rua da Madalena :: nº 8 :: 2º andar

O combate à precariedade precisa de todos os trabalhadores!
Junta-te ao MayDay!

Precariado: de condicionado a condicionante político - José Nuno Matos

 O texto que se segue é da autoria de José Nuno Matos, sendo o primeiro de um conjunto de seis textos do Dossier conjunto do Le Monde Diplomatique e do Mayday Lisboa 2010, sobre Precariedade, que aqui iremos publicar.

A centralidade que as questões ligadas ao mundo do trabalho ocupam na vida das pessoas faz com que as mutações que nele ocorrem tenham reflexos na organização de toda a vida em sociedade. As novas precariedades laborais resultam das possibilidades abertas pelas tecnologias de informação e comunicação mas também das pressões desestruturantes e supressoras de direitos que a globalização neoliberal exerce. E têm consequências sobre o poder económico e a qualidade de vida dos trabalhadores, sobre a organização do seu tempo, do seu espaço e dos seus estilos de vida, sobre a construção da sua identidade nos diferentes papéis sociais que cada um desempenha (no trabalho, na família, nos sindicatos, na sociedade). Do mundo do precariado nos Call Centers, ao teletrabalho e ao regresso do trabalho a casa, este dossiê procura reflectir sobre as potencialidades e dificuldades de actuar e construir projectos de vida no quadro desta realidade, contraditória e em rápida mudança.

Por JOSÉ NUNO MATOS *

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sábado, 17 de abril de 2010

Notícia do Jornal i


A acção do MayDay contra os Call Centers foi notícia no jornal i:

O movimento Mayday realizou ontem centenas de chamadas para os maiores call-centers do país, numa iniciativa de protesto contra a precariedade no trabalho que teve lugar em Lisboa, Porto e Coimbra.
Elementos do Mayday fizeram-se ouvir, “usando os meios” com que os “exploram”, e as imagens surgem num vídeo preparado pelo movimento para esta acção.
Expressões como “Bom dia, fala a Ana…Bom dia, fala o João…Sara, Miguel, Zé, Marta….” não pararam durante  a tarde de ontem prolongando-se pela madrugada, em sinal de descontentamento pelo trabalho precário.

ManiFesta contra os trangénicos

Hoje, às 15h, na Praça do Rossio haverá uma manifestação contra os trangénicos, organizada pela plataforma Transgénicos Fora.
Sabemos que a defesa do ambiente e a qualidade alimentar são questões altamente relacionadas com a precariedade. Entre outras implicações a precariedade obriga-nos a optar, quase sempre, pela alimentação mais barata em detrimento da mais saudável e proveniente de sistemas de produção mais amigos do ambiente e mais justos para os produtores.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Acção Contra Call Center em simultâneo nos Mayday Lisboa, Porto e Coimbra



Bom dia, fala a Ana... Bom dia, fala o João... Bom dia, fala o Pedro... Bom dia, fala a Susana... António, Sara, Miguel, Zé, Victor, Marta...

Os Call-Centers estão aí para servir... ou melhor, estão aí para se servir. Para que os patrões das grandes empresas se possam servir das vidas e das pessoas que exploram sob a precariedade mais repressiva. Portugal Telecom, TMN, Vodafone, Optimus, Banco Totta, BPI, BPN, SAPO, Continente, Pingo Doce... mas também no Estado, na CGD, na DGCI, na Segurança Social... só para lembrarmos alguns dos mais conhecidos.

Os seus chefes ou patrões não servem ninguém senão a si próprios. Servem-se do roubo das vidas e das expectativas de uma geração para poder contar todos os segundos de chamadas telefónicas em euros, sempre mais euros. Os capatazes dentro dos Call-Center esperam um dia, quando crescidos, ser grandes, no meio de precários, afinal, eles também são precários... o isolamento e a competição entre pares tem destas coisas, volta pessoas umas contras outras.

Mas os mesmos servem-se sempre. Servem-se da impunidade com que gozam do esforço da maioria. Servem-se da influência e da corrupção que lhes dá ligações ao poder. Servem-se de quase todos, num jogo sempre viciado à partida.

Mas desta vez, demos a volta às regras. Usámos os meios que eles criaram na exploração para passar uma mensagem que vale por todos e por todas. Demos a volta à precariedade falando com quem tem de ser ouvido para lá da máquina, dos segundos, dos euros. Vamos dar a volta à precariedade porque queremos juntar num só grito todas as vozes presas nos telefones dos Call-Centers. No 1º de Mario juntamo-nos num grito de Mayday. Somos muitos mais!

Mayday debate precariedade em Setúbal

Hoje realiza-se em Setúbal um debate e concerto com o tema "O Precariado Rebela-se!" organizado pela associação Primafolia e que conta com a participação do MayDay.

O debate será às 21h30 na Academia Problemática e Obscura (Rua deputado Henrique Cardoso nº34, Setúbal - ver mapa), e contará com Projecção de videos de acções do Mayday e será seguido da actuação do grupo de intervenção Pedro e Diana (vê o myspace).

segunda-feira, 12 de abril de 2010

8ª Assembleia MayDay Lisboa

Após um fim de semana de discussão intensa, com o debate A precariedade tem muitas caras. Como nos organizamos? e o encontro no Talude com a AMRT, o MayDay Lisboa parte agora com mais reflexão criada, para a sua 8ª assembleia:

4ª feira :: 14 de Abril :: às 20h45 :: no SPGL
Rua Fialho d'Almeida, nº 3, Metro: São Sebastião


Junta-te a este combate!

Movimentos de Precários e mais de 50 personalidades lançam carta aberta à fundação Serralves

Os movimentos de precários FERVE - Fartos d'Estes Recibos Verdes - e Precári@s Inflexiveis, juntamente com mais de 50 personalidades ligadas ao mundo das artes, da cultura e do sindicalismo lançaram hoje, em comunicado, uma carta aberta  em solidariedade com os trabalhadores da Fundação Serralves ilegalmente despedidos.
Foram 18 recepcionistas que foram hoje despedidos, após anos a trabalhar a falsos recibos verdes. Trabalhores estes que foram afastados pela Fundação de Serralves, por não terem aceitado constituírem-se como empresa para continuarem a trabalhar.


Para ler a carta divulgada e conhecer os seus subscritores, clica em Ler Mais.

Mayday Lisboa esteve com as pessoas do bairro do Talude

Este Domingo o Mayday esteve presente no bairro do Talude (Unhos, Loures), numa tentativa de aproximação a uma realidade que todos sabem mas que poucos conhecem.

O nosso encontro iniciou-se com uma visita guiada pelo bairro, onde as crianças que nos serviram de guias, nos mostraram o seu espaço e o seu mundo. Entre casas de tijolo, música nas janelas, roupa estendida e muitas hortas, foram-nos reveladas muitas histórias de vidas difíceis, de casas demolidas e condições diminutas de sobrevivência, de famílias que sofrem diariamente com a precariedade em todos os níveis da sua vida.
Após a visita pelo bairro, fomos conhecer a Associação de Melhoramentos e Recreativo do Talude, onde num clima familiar, super acolhedor e com muitos sorrisos nos foi mostrado o espectacular trabalho que a associação tem feito junto dos moradores do bairro. Tal como nos tinha sido prometido, assistimos a um espectáculo de dança e comemos uma magnífica Cachupa de peixe!

A precariedade tem muitas caras. Como nos organizamos?

No passado sábado, dia 10 de Abril, realizou-se no CES-Lisboa em Picoas Plaza, um importante debate sobre a multiplicidade de caras que a precariedade tem na sociedade actual. Foi um debate que permitiu verificar a capacidade de mutação da precariedade, ajustando-se aos tempos e aos diferentes sectores da sociedade, tratando-se dum verdadeiro camaleão, que se adapta e instala conforme os cenários e condições, tendo servido para nos alertar para a nossa organização de forma a combate-la eficazmente. Este debate sublinhou, também, a urgência de um contra-ataque que precisa da solidariedade de todos os trabalhadores e trabalhadoras, porque a precariedade é um plano global, embora não sejamos todos afectados com a mesma intensidade.

O debate, com muitas caras, foi dividido em três partes:

Jantar popular no Gaia com o Mayday Lx 2010

Na passada 5ª feira, dia 8 de Abril, o May Day participou no jantar popular do Gaia, no Centro Social da Mouraria. Foi um jantar vegano e livre de OGM’s, de forma a dar força para o MayDay 2010, e que permitiu uma confraternização dos vários envolvidos, troca e partilha de experiências e conhecimentos, participando-se também na confecção do jantar e organização do espaço, tendo havido ainda uma sessão teatral que teve início após o fim do jantar. Houve também um cartaz afixado onde se podia escrever sobre a precariedade e formas de a combater.

Após o jantar foram projectados alguns filmes de MayDay’s dos anos anteriores, permitindo assim aos presentes ter uma ideia da importância do movimento MayDay, e da necessidade da acumulação de forças para que o combate à precariedade e exploração sejam uma luta conjunta de todos os dias.

domingo, 11 de abril de 2010

Lá como cá: a luta dos precários em França


Num total de 3.000 milhões de desempregados em 2009, e de 4 milhões previstos para 2010, 850.000 chegaram ao fim dos subsídios em 2009 e o mesmo acontecerá a mais 1.000.000 em 2010.

Em preparação, uma grande Marcha de 900 kms, entre Marselha e Paris, de 25 de Maio a 14 de Julho de 2010. À chegada, será apresentada às autoridades uma série de exigências mínimas de protecção para os que não aceitam ser «os esquecidos da mundialização económica».

«Os governantes não hesitam em citar alegremente a Convenção universal de direitos do homem para aparecer como “ardentes defensores dos direitos humanos e democráticos”. (…) É inaceitável que a 4ª potência económica mundial irradie os desempregados que deixam de ter direito a subsídio (…), ao mesmo tempo que dá de graça aos banqueiros, principais responsáveis pela banca rota e arquitectos da crise permanente, várias dezenas de milhões».

Todos diferentes, todos iguais - por essa Europa fora.
Joana Lopes, Vias de Facto

quarta-feira, 7 de abril de 2010

O MayDay Lisboa está nas Ruas!



Festa MayDay PORTO


O MayDay Porto está na Rua e organiza uma festa, segue-se a divulgação:


QUANDO: Sábado, 10 de Abril
A QUE HORAS
: 22h00
ONDE
: Fábrica da Rua da Alegria (Rua da Alegria, nº341). Porto



O QUE VAI ACONTECER:
Haverá teatro, música, filmes e muita animação com a participação (entre outros) de:
- Erva Daninha
- DJ Ruba Linho
- DJ's Golpe de Estado (RUC)


PORQUÊ: o MayDay está aí chegar! No dia 1 de Maio, o precariado sai à rua e faz ouvir a força da sua voz!

QUEM É O PRECARIADO?:

- somos 2 milhões de pessoas que não têm um vínculo estáel de trabalho;
- somos 900 mil falsos recibos verdes;
- somos 400 mil pessoas contratadas através de empresas de trabalho temporário,
- somos bolseiros/as de investigação científica;
- somos 600 mil pessoas que estamos desempregados/as;
- somos todos/as os/as trabalhadores que estão solidários/as com esta luta pela dignidade laboral e pelo direito ao trabalho com direitos
- O PRECARIADO SOMOS TODOS NÓS!.



NO SÁBADO, DIA 10, APARECE NA FÁBRICA E TRAZ UM/A AMIGO/A TAMBÉM!

terça-feira, 6 de abril de 2010

Encontro/debate com a AMRTalude

A precariedade concentra-se de maneiras diferentes e em diferentes sectores da sociedade, as pessoas que vivem nos bairros sociais representam um dos sectores mais massacrados por esta chantagem, para além de estarem submetidas às mais diversas precariedades laborais estão geograficamente excluídas do sistema social e económico.

O MayDay Lisboa quer, também, dar voz aos precários que vivem nestes bairros e por isso aceita o desafio da Associação de Melhoramentos e Recreativo do Talude de participar num encontro que terá diversas actividades (dança, almoço, debate,...) e que culminará com um debate sobre as múltiplas formas de precariedade e o modo como nos podemos organizar para as combater. Será certamente um momento de partilha de experiências importante para todos.

Dia 11 de Abril, Domingo, às 11h
Ponto de encontro: 11h na paragem de BUS (correios no Catujal)
Nota: 
Quem chegar atrasado, deve dirigir-se para a sede da AMRT: Estrada militar do Talude, nº 62




Como chegar lá:
  • PARTIDAS DO CAMPO GRANDE (saída oposta ao Estádio de Alvalade) - Apanhar o Bus da Rodoviária n.º 311 ( pedir para sair nos Correios no Catujal)  
  • PARTIDAS DA GARE DO ORIENTE (saída B para o exterior) - Apanhar o BUS da Rodoviária n.º 305 ou 309 (pedir para sair no Campo da Bola ou Correios no Catujal)
  • AVISO: o ideal é adquirirem pré-comprados pois comprar no Bus é muito caro.
  • COORDENADAS GPS: 38º 48' 34.71" N e 9º 06' 45.33" W


Debate :: A precariedade tem muitas caras. Como nos organizamos?

A precariedade é uma só,  tem muitas caras, há muito que o dizemos, porque sabemos que ela é um plano global que afecta os mais diversos sectores da sociedade, dos professores aos trabalhadores de call center, dos operadores de caixa de super-mercado aos funcionários públicos, dos trabalhadores/as sexuais aos intermitentes do espectáculo e do audiovisual, entre outros. No entanto, sabemos que não nos afecta a todos com a mesma intensidade, que existem sectores onde a chantagem da precariedade é mais brutal, ganhando força com a discriminação e o racismo, a desigualdade e o preconceito.

Para a resposta, para o contra-ataque à precariedade, é preciso a solidariedade entre todos os trabalhadores numa luta que sabemos ser comum, e por isso chamamos toda a gente para um debate que é urgente e que pretende ser um ponto de encontro, onde se acumulam forças e se articulam esforços para pensar e organizar alternativas.

Dá a volta à Precariedade!
No dia 10 de Abril, às 15h aparece e traz um amigo!
CES - Lisboa, Picoas Plaza
Rua do Viriato, nº13 (Metro: Picoas)


segunda-feira, 5 de abril de 2010

Jantar popular e conversa MayDay Lisboa no GAIA


O MayDay Lisboa está na rua para dar voz aos precários, fazendo um percurso de acumulação de forças que culmina numa parada no 1º de Maio.

O que é o Jantar Popular?
- Um Jantar comunitário vegano e LIVRE DE OGMs que se realiza todas as Quintas-feiras no Grupo Desportivo da Mouraria
- Uma iniciativa inteiramente auto-gerida por voluntários do Centro Social do Jantar. Para colaborar, cozinhar, montar a sala basta aparecer a uma Quinta-feira a partir das 16h30.
- Um projecto autónomo e auto-sustentável. As receitas do Jantar Popular representam o fundo de maneio do Centro Social do GAIA que mantém assim a sua autonomia.
- Um jantar onde ninguém fica sem comer por não ter moedas e onde quem ajuda não paga. O preço normal são 3 euros.
- Um exemplo de consumo responsável, com ingredientes que respeitam o ambiente, a economia local e os animais.
- Uma oportunidade para criar redes, trocar conhecimentos

Desta vez o MayDay Lisboa janta (3€/ref) no Centro Social da Mouraria - GAIA


Dia 8 de Abril
5ª feira, às 20h30,
Travessa da Nazaré, 21, 2º (ver mapa)

Passagem de Filmes
Conversa: Dá a volta à precariedade!

Aparece e traz um amigo também!

domingo, 4 de abril de 2010

Luta dos e das professores/as das Actividades de Enriquecimento Curricular divulgada no estrangeiro


A mobilização dos profissionais das AECs já é notícia lá fora. A Radio France Internationale (RFI) esteve em Portugal para retratar a realidade dos recibos verdes e do aumento da precariedade e não ignorou a situação dos professores das AECs. A reportagem está disponível aqui (carregando no ícone com o desenho de auscultadores, à direita em cima).
A reportagem começa com o som da concentração do passado dia 11, dando voz a uma das professoras que organizou esta mobilização e que esteve presente na acção. O trabalho da rádio francesa dá ainda conta das várias consequências do abuso do recurso aos recibos verdes em Portugal, com a participação de várias pessoas com vidas afectadas por esta forma de precariedade e membros de movimentos de trabalhadores precários, como a Plataforma dos Intermitentes do Espectáculo e do Audiovisual e dos Precários Inflexíveis.
A ArteTV, um canal de televisão alemão e francês (presente na televisão por cabo nacional), também veio a Portugal para uma reportagem sobre a precariedade laboral. O ritmo brutal a que cresce a precariedade por cá parece não parar de espantar a Europa.
Tal como no caso da reportagem da Radio France Internationale, a ArteTV deu destaque à situação concreta dos profissionais das AECs, recolhendo o depoimento duma das professoras que esteve na organização do protesto de dia 11: Margarida Barata descreve a sua situação e como os recibos verdes e a fraca retribuição lhe afectam a vida e o desenvolvimento das próprias actividades. Apesar da reportagem ser falada em língua alemã, partilhamo-la aqui:



Professores das AECS da grandes Lisboa

A precariedade e a administração pública - Miguel Madeira


Sobretudo em períodos de aumento de desemprego, é frequente aparecer a conversa d'“os funcionários públicos que têm emprego seguro”. Isso será verdade? 
Bem, isso depende muito da definição de “funcionário público” - realmente, a expressão, até há pouco tempo, aplicava-se formalmente quase apenas aos trabalhadores com “nomeação definitiva”, sendo os outros, no máximo, “agentes da Administração Pública”; assim, claro que um “funcionário público” não podia ser despedido (salvo processo disciplinar ou coisa semelhante) - ter vínculo definitivo faz (ou fazia) parte da definição de “funcionário público”. 
Mas se usarmos “funcionário público” no sentido de “trabalhadores da Administração Pública”, claro que estão sujeitos à precariedade e podem perfeitamente perder o emprego (por vezes até por razões como alguém não gostar da roupa que usam quando não estão de serviço).
Com o novo Código do Trabalho, os prazos podem ser diferentes, mas até há meia dúzia de anos era normal  trabalhadores da AP (nomeadamente os das carreiras pior pagas, como telefonistas e auxiliares administrativos) terem este percurso profissional: 
- Contrato a prazo de seis meses renovados durante dois anos
- Terminado o contrato, passava a receber “subsidio de desemprego”, ficando a trabalhar na instituição ao abrigo do “Programa Ocupacional - Subsidiados”, um programa do IEFP em que desempregados recebem um subsidio adicional para trabalharem em instituições sem fins lucrativos (como é o caso das instituições do Estado) 
- Após algum tempo, acaba o subsídio de desemprego; não há problema - passam para o “Programa Ocupacional - Carenciados”, outro programa do IEFP, este para pessoas de baixos rendimentos, em que trabalham para uma instituição sem fins lucrativos recebendo o salário mínimo nacional
- Terminado o prazo do Programa Ocupacional, já se passaram alguns anos e portanto já se podia voltar a fazer um contrato de trabalho a prazo, reiniciando-se o ciclo 
Como digo, isto era o que se passava há uns anos atrás, mas não tenho razões para pensar que seja diferente actualmente (tirando o facto dos contratos a prazo agora poderem prologar-se por mais de 2 anos).
Miguel Madeira, Vias de Facto

Precariedade e novas resistências operárias - José Nuno Matos


A grande transformação
O fenómeno vulgarmente designado por Maio de 68 – um termo redutor que diminui todo um conjunto de manifestações de resistência política aos acontecimentos em curso na sociedade francesa – resultou essencialmente da recusa do modo de vida alicerçado no trabalho abstracto. Aos poucos, tornaram-se perceptíveis as contrariedades de uma sociedade baseada na produção e no consumo em massa. O sistema laboral fordista – inicialmente encarado como um dos pilares da estabilidade de uma população dilacerada por duas guerras mundiais – reduzia a capacidade de acção dos trabalhadores à repetição estandardizada de duas ou três tarefas. A regularidade e a estabilidade acabaram por dar lugar à fadiga e à depressão, e, logo, à diminuição dos níveis de produtividade. A revolta das fábricas e das universidades veio apenas tornar manifesto o que há muito estava latente.
Estes factores, consubstanciados pelos efeitos da crise petrolífera, levaram a uma reformulação das bases infraestruturais da economia, nomeadamente dos princípios orientadores dos mercados de trabalho. Conceitos como "flexibilidade", "racionalização de recursos humanos", "adaptação" e "competitividade" passaram a constituir parte do jargão economicista, anunciando uma nova ordem laboral inteiramente determinada pelos níveis de oferta e da procura de emprego. A adequação entre estes dois factores traduziu-se na criação de vínculos contratuais bastante frágeis — o contrato a prazo, o trabalho a tempo parcial, o trabalho temporário ou recibo-verde — de modo a facilitar tanto a contratação, como o despedimento.
A argumentação teórica em torno destas medidas esconde, no entanto, o acentuar da guerra social do capital contra as pessoas. Num contexto em que as empresas são dotadas de um poder de (des)localização quase ilimitado, seleccionando países e regiões de acordo com os respectivos níveis de submissão aos seus interesses, e em que a produção resulta não tanto da quantidade de trabalhadores, mas sim da sua qualidade, o acesso a bens e serviços de necessidade básica continua a depender da posse de um emprego. Como afirma Hannah Arendt, "O que se nos depara, portanto, é a possibilidade de uma sociedade de trabalhadores sem trabalho" (Arendt, 2001: 16). Assim, a ausência ou intermitência de uma fonte de rendimento impedem a mínima previsão de futuro pessoal, minam a existência, precarizam a vida.
No imaginário social dominante, fugir a este sentimento implica alinhar com os intentos do patronato e aceitar as regras de jogo por eles definidas — salários baixos, horas extraordinárias não pagas, ausência de protecção social — impondo nas empresas um ambiente de “paz social podre”: o boato, o esporádico erro propositado ou a danificação escondida do material são muitas vezes as únicas formas de resistência, sempre realizadas de uma forma anónima e secreta. Na opinião de Javier Toret e Nicólas, está em marcha um fenómeno generalizado de devir migrante do trabalho, isto é, a aproximação do paradigma laboral fordista ao paradigma do trabalho migrante: “As condições laborais de que sofrem os imigrantes (informalidade na contratação, vulnerabilidade, vínculo intenso entre território e emprego a realizar, desprotecção sindical, temporalidade, total disponibilidade,...) vão estendendo-se progressivamente ao resto dos trabalhadores” (Toret, Sguiglia, 2006: 106).
A estratégia público-empresarial1 (fruto de uma incessante invasão de espaços sociais – tanto materiais, como simbólicos –, facilitada pelo abandono do estado e dos tradicionais actores políticos da modernidade) consiste, num primeiro momento, na criação de um estado de excepção laboral que ultrapassa os regimes legais, por si só já restritivos (o recurso em massa aos “falsos recibos verdes” e o não pagamento de horas extraordinárias, por exemplo). Simultaneamente, desenvolvem-se acções de pressão, lobbying e ameaça sobre as autoridades, apontando a “rigidez das relações laborais” como um factor desincentivador do investimento e promotor da deslocalização de unidades produtivas e do desemprego. Satisfeitas algumas das reivindicações2, as empresas podem reiniciar este processo, criando um novo estado de excepção laboral e exigindo novas reformas. Desenvolve-se assim um cíclo de exploração em que a vida das pessoas se vê completamente nua de qualquer protecção, pois o que é de direito e o que é de facto se tornou praticamente indistinguível (Agamben, 1998). 

sábado, 3 de abril de 2010

Repôr a normalidade - Ricardo Noronha


O que aconteceu hoje às portas do Hotel Tivoli é um exemplo do que aí vem. Os e as trabalhadores/as da cadeia de hotéis exigiram aumentos salariais iguais para todos (mais 20€ ao mês), de maneira a unificar todas as categorias numa só luta. A administração respondeu com a contratação de trabalhadores a prazo para substituir os grevistas (que são efectivos) e parece que até lhes arranjou um sítio onde dormir nas suas instalações, para evitar contactos indesejáveis - sabe lá o que poderia acontecer se fossem forçados a confrontar-se com aqueles cuja greve estão a furar?
Depois aconteceu o costume. Seguranças musculados impediram o piquete de greve de bloquear os acessos ao edifício. Chamada pela entidade patronal, a polícia acorreu com a costumeira solicitude  intimidando os grevistas e «repondo a normalidade». Ou seja, a decisão ilegal de substituir trabalhadores em greve por outros que em breve serão dispensados foi, na prática, assegurada por agentes da PSP. Parece que já estão na linha de montagem mais dois mil. 
Como as coisas estão, não sei se os empresários do ramo da hotelaria não deveriam reivindicar mais uns quantos para seu uso exclusivo. Não faltarão oportunidades para lhes dar bom uso. Em tempos de crise, haverá sempre uma normalidade qualquer a repor algures -  certamente não faltarão trabalhadores em greve decididos a não pagar o custo da crise, desempregados disponíveis para tudo e patrões conscientes da sua impunidade. Até poderão prestar esse serviço a outros sectores patronais, incapazes de assegurar tão sólida garantia para policiar os seus actos ilícitos, dissuadir os grevistas mais «irresponsáveis» e os ânimos mais «exaltados». 
Sim, nos tempos que correm, o patronato precisa de toda a polícia disponível para pôr em prática esse crime organizado a que vimos chamando «precariedade». Ainda chegará o dia em que a PSP se verá forçada a prender inspectores do trabalho para «repor a normalidade».
Ricardo Noronha, Vias de Facto

Uma reivindicação razoável - Miguel Serras Pereira


Será de mais - será sequer assim tanto - o "tudo" do "Queremos Tudo" do combate operário que nos propõem aqui, por esse caminho antecipando da melhor maneira as jornadas do próximo May Day ?
A resposta democrática à precariedade, à expropriação e à subordinação hierárquica do trabalho e do conjunto da actividade económica parece, em todo o caso, bastante simples, e pode traduzir-se numa reivindicação razoável, que não pressupõe descobertas científicas novas no campo da economia, da sociedade ou da história, não depende de soluções tecnológicas milagrosas, não implica a construção de direcções políticas qualificadas, nem a assunção de competências extraordinárias por agentes privilegiados e profissionais do governo dos outros.
Bastaria que, em contrapartida de um determinado montante de trabalho - igualitariamente estabelecido  pelo poder democrático igualitariamente exercido pelos cidadãos -, fosse garantido a todos um rendimento igualitário e condições de igualdade perante o mercado. Precise-se somente que esta política de igualização dos rendimentos não poderia deixar de ser acompanhada da democratização das condições de exercício da actividade económica e da divisão (política) do trabalho em vigor - consequência óbvia da transformação democrática da actual divisão hierárquica do trabalho político.
Tal seria o resultado da adopção de uma proposta do tipo da reiteradamente apresentada nesta matéria por Castoriadis, em termos que poderiam unir numa mesma plataforma tanto os precários rebeldes como os restantes trabalhadores cada vez mais precarizados. E poderia acrescentar-se que essa plataforma seria também uma via de saída para a crise global que a ordem estabelecida não para de reproduzir e agravar a todos os níveis e à escala planetária.
Embora tentar?

Fundação de Serralves despede trabalhadores com falsos recibos verdes



A Fundação de Serralves tem um horário de funcionamento.
A Fundação de Serralves tem uma recepção, uma bilheteira, um bengaleiro.
A Fundação de Serralves tem recepcionistas que asseguram estes serviços, permanentes e imprescindíveis.
A Fundação de Serralves tem recepcionistas que asseguram estas funções há mais de cinco anos.
A Fundação de Serralves saberá que deveria ter celebrado contratos de trabalho com estes/as trabalhadores/as, visto tratarem-se de pessoas que utilizam material disponibilizado pela entidade empregadora, visto utilizarem uma farda da instituição, visto estarem inseridos numa equipa, visto terem chefias, visto estarem na dependência económica da entidade que as contrata: tudo critérios que permitem aferir a existência de um contrato de trabalho e não de trabalho independente.
A Fundação de Serralves sabe que estas pessoas são falsos recibos verdes.
Mayday Porto

quinta-feira, 1 de abril de 2010

7ª Assembleia MayDay Lisboa

MayDay MayDay!!!

Após a acção de invasão do Centro Comercial Colombo (vê o vídeo aqui) , uma das grandes catedrais da precariedade, o MayDay Lisboa vai a caminho da sua 7ª assembleia!

Dá a volta à precariedade!

7ª Assembleia MayDay Lisboa:

4ª feira, 7 de Abril, às 21h na SOLIM

Rua da Madalena, nº8 2ºandar

Aparece e traz um amigo também!






quarta-feira, 31 de março de 2010

O caso de Serralves na RTP com declarações do FERVE

FUNDAÇÃO DE SERRALVES DESPEDE TRABALHADORES/AS A FALSOS RECIBOS VERDES



A Fundação de Serralves tem um horário de funcionamento.
A Fundação de Serralves tem uma recepção e uma bilheteira.
A Fundação de Serralves tem recepcionistas que asseguram estes serviços, permanentes e imprescindíveis, alguns há mais de cinco anos.
A Fundação de Serralves saberá que deveria ter celebrado contratos de trabalho com estes/as trabalhadores/as, visto tratarem-se de pessoas que utilizam material disponibilizado pela entidade empregadora, visto utilizarem uma farda da instituição, visto estarem inseridos numa equipa, visto terem chefias, visto estarem na dependência económica da entidade que as contrata: tudo critérios que permitem aferir a existência de um contrato de trabalho e não de trabalho independente.
A Fundação de Serralves sabe que estas pessoas são falsos recibos verdes.
No entanto, em vez de regularizar a situação contratual destes/as trabalhadores/as, a Fundação de Serralves optou por 'convidá-los' a constituírem-se como empresa para que pudessem continuar a desempenhar as mesmas funções de sempre. A esta chantagem a Fundação de Serralves chama "apelo ao empreendedorismo".
O FERVE denunciou esta situação publicamente, à Autoridade para as Condições de Trabalho (que efectuou já uma acção inspectiva à Fundação de Serralves) e também junto dos partidos políticos (o que motivou uma pergunta do Bloco de Esquerda ao Ministério da Cultura e uma outra ao Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social).
Agora, a Fundação de Serralves enviou uma carta a todos/as os/as recepcionistas, informando-os/as de que, a partir de 12 de Abril, deixam de trabalhar naquela instituição.
O FERVE e os Precári@s Inflexíveis consideram inenarrável o comportamento que a Fundação de Serralves tem vindo a assumir, alheado do cumprimento da lei, desprovido de moralidade, dignidade e respeito para com as pessoas que, ao longo de anos, trabalharam nesta instituição.
Estamos total e incondicionalmente solidários com estes/as trabalhadores/as e continuaremos a desenvolver acções de solidariedade para com eles/as, que serão comunicadas nos próximos dias. 






Sobre a precária liberdade de expressão - André Pires



O problema da precariedade está intimamente ligado à liberdade de expressão, de opinião, de questionar isto ou aquilo, e uma das classes profissionais que, possivelmente, melhor compreende esta problemática são os jornalistas. Habituados a lidar com todo o tipo de pressões, da "linha editorial", ao condicionalismo de um ou outro poder económico (veja-se o caso da Sonae, detentora do jornal Público), aos assessores da agência de comunicação Y, os jornalistas debatem-se com a questão de se movimentarem num arame preso entre uma suposta "liberdade de imprensa" e todos os condicionalismos decorrentes da sua condição precária.

A Liberdade de Expressão tem estado em destaque nos últimos dias na praça pública sendo, inclusivamente, discutida na Comissão de Ética do Parlamento. A este respeito, o ex-presidente da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista, o senhor Eurico Reis, juiz desembargador, defendeu que, de facto, existe liberdade de expressão em Portugal, ressalvando contudo que "quem está a recibos verdes tem um trabalho mal pago e, pior que isso, tem a condição de estagiário", perde a capacidade "de dizer não", "se tiver a barriga vazia e os filhos também, é óbvio que se acomoda a muita coisa" (declarações retiradas do jornal Diário de Notícias do dia 31 de Março de 2010). Seguindo a lógica das declarações de Eurico Reis, parece-me possível concluir que existe uma precária liberdade de expressão em Portugal, assente numa dialéctica sempre presente entre poder económico e vidas precárias, que permite falar de escândalos de corrupção que envolvem altos dignatários do Governo mas que, simultaneamente, impossibilita o debate em torno das condições de trabalho, dos salários mal pagos, da constante e presente condição precária que serve de mordaça, neste caso, à maior parte dos jornalistas portugueses.

terça-feira, 30 de março de 2010

1º de Maio dos trabalhadores que ou não trabalham ou, embora trabalhem, não sabem dizer em que trabalham e então é como se não trabalhassem porque não têm colegas estáveis nem podem lutar pelos seus direitos, ou então, no fundo (e embora trabalhem), são mas é contra o trabalho e a separação a que ele nos sujeita





  1. Aconteceu e acontece (independentemente das habilitações) irmos tendo imensos pequenos trabalhos, coisas dispersas que começam e acabam rápido e no fim recibo verde ou nada: terminologia nenhuma para esta maneira de ganharmos dinheiro para viver para além da expressão “fazer uns biscates de vez em quando”. Nenhumas garantias, segurança social à perna, identidade profissional zero, “percurso individual” instável a impedir uma união de interesses comuns, colegas de trabalho inconstantes, impossibilidade de sindicalização (mesmo que não pretendida), cada trabalho ou oportunidade de trabalho a soar como irrenunciável: balança completamente desequilibrada para o lado do empregador a fazer lembrar os tempos em que se recrutavam homens à jorna, - o patrão é que escolhe, não queres não queres, o problema é teu!..

segunda-feira, 29 de março de 2010

“Português, escritor, 45 anos de idade”

Logo depois da revolução, tinha eu 10 anos, o meu avô paterno levou-me a ver essa peça de Bernardo Santareno. O dramaturgo falava de uma geração destruída pela ditadura, a guerra e a falta de liberdade. Se Bernardo Santareno ressuscitasse, descobriria que há várias gerações dilaceradas pela falta de emprego, pela precariedade e que apenas são livres de se calarem. Uma sociedade mede-se pela capacidade de dar liberdade, dignidade e condições de vida às pessoas. A nossa é uma merda. Alimenta os do costume. Torna cada vez mais ricos os grandes empresários e os banqueiros. Tem políticos que medram alegremente com a corrupção.
A maioria dos portugueses vive mal e tem plena consciência que vai sobreviver muito pior.
A ditadura caiu graças à resistência de muitos que não se vergaram apesar da repressão. O trabalho precário, o desemprego e as desigualdades gritantes só vão acabar se fizermos alguma coisa. Participar no May Day de 2010 é um dos muitos passos que podemos dar. São ainda poucas as pessoas, os sindicatos, as organizações, os partidos, as acções e as ideias para mandar esta sociedade para o lugar histórico dela: o lixo.
Nuno Ramos de Almeida, jornalista e trabalhador precário, 5 Dias

domingo, 28 de março de 2010

Vídeo: Mayday Lisboa vai ao Colombo

Mayday Lisboa vai ao Colombo

O MayDay Lisboa 2010 visitou hoje à tarde o Centro Comercial Colombo, uma das catedrais da precariedade. Fizemo-lo propositadamente ao domingo, porque quisemos denunciar o facto da precariedade não dar descanso às suas vítimas. Estes trabalhadores, sujeitos a um trabalho repetitivo e desgastante, quase sempre com baixos salários e tratados como descartáveis, asseguram um negócio que não admite interrupções e que não reconhece direitos.

Estivemos em contacto directo com os trabalhadores, mas também com os consumidores, porque sabemos que, neste como em qualquer outro centro comercial, nas suas várias lojas, encontram-se pessoas que vivem condições semelhantes. Aqui fica o panfleto que distribuímos.


Mas esta visita foi, acima de tudo, um protesto. Percorremos os corredores, denunciando a precariedade. O grito "precários nos querem, rebeldes nos terão" ecoou nas galerias do Colombo, perante a atenção e surpresa das muitas pessoas que cruzavam os corredores.

sexta-feira, 26 de março de 2010

6ª Assembleia MayDay Lisboa

O MayDay Lisboa está na rua com muita actividade, somos precários e precárias que juntam forças para dar a volta à precariedade!

Junta-te a este combate e aparece na próxima Assembleia MayDay Lisboa 2010:

3ª feira, 30 de Março, 20h45
no SPGL - Rua Fialho d'Almeida nº3, Lisboa

quinta-feira, 25 de março de 2010

PEC: Declaração de Guerra aos Precários

Faixa - PEC

O Mayday Lisboa marcou esta quinta-feira frente ao Ministério do Trabalho e Solidariedade Social a sua posição face ao Programa de Estabilidade e Crescimento. Sabemos que é uma declaração de guerra a todos os que vivem do seu trabalho e, especialmente, aos precários.

Não temos papas na língua: Precários nos querem, Rebeldes nos terão!

O PEC é diferente

O Programa de Estabilidade e Crescimento está na ordem do dia. À primeira vista o PEC parece-nos uma daquelas coisas que os políticos lá discutem e que pouco nos interessam; as negociações sobre se o PSD se abstém ou não e se o governo cai ou fica de lado, não nos deixam perceber bem o que é este documento para que serve e de onde vem.


Mas, infelizmente, o Programa de Estabilidade e Crescimento é bem mais grave para quem trabalha e, especialmente, para quem é precário.

O PEC resume o conjunto das medidas que o Governo Português vai realizar para cumprir o que assinou noutro PEC: o Pacto de Estabilidade e Crescimento. O Pacto foi subscrito pelos países da Europa e as suas consequências são bem visíveis: mesmo em tempo de crise os Governos da UE devem desistir de quaisquer políticas viradas para o emprego e acelerar a desregulação das relações no trabalho e a destruição dos serviços públicos. É mais ou menos uma bomba relógio pronta para detonar quando houvesse a próxima crise e quando ela chegou... BUM!

E esse BUM! é o som das nossas vidas a degradarem-se.

O Governo Português podia ter feito muitas escolhas para que não tivesse de ser assim, mas não o fez e decidiu que quem deveria pagar, com o seu trabalho e diminuição das condições de vida, seriam os de sempre.

A receita é simples:
• Como não há dinheiro para o Estado alimentar tudo, cortamos no que é mais fácil: os salários do pessoal da função pública, dando com isso um sinal de ok a todos os patrões para fazerem o mesmo.
• Depois impõe-se um tecto máximo para os gastos com as prestações sociais, quem ficar de fora fica de fora. Os pobres que se amanhem.
• Aproveita-se o discurso do "a malta não quer é trabalhar" e chantageia-se os desempregados para aceitarem os pouquíssimos (sub)empregos que praí andam, 75% deles precários.
• Ataca-se sem dó os trabalhadores a falsos recibos verdes cobrando-lhes coercivamente uma falsa dívida gigante para que nem se possam mexer.

Com tudo isto, e mais umas privatizações e muita propaganda sobre umas pequenas medidas redistributivas, o valor do nosso trabalho desce, a precariedade acelera e eles lucram. Haverá melhor plano?

Para mim há. Para mim os precários e todos os que trabalham podem mobilizar-se contra este ataque sem tréguas ao valor do nosso trabalho e contra a estabilidade (mínima) nas nossas vidas. O PEC é um documento muito diferente - porque vem da Europa e porque serve para nos roubar o dinheiro, não respondendo à crise - e nós temos de lhe dar uma resposta muito diferente. O Mayday é essa resposta: no seu combate contra a precariedade e pela solidariedade entre todos os que trabalham. Os precários dão a volta à precariedade.

Ricardo Moreira